De acordo com Edward Smith Lucie, em “Os movimentos artísticos a partir de 1945”, (mais especificamente no contexto do capítulo “Os Estados Unidos na década de 1970 à década de 1990”), a arte mais difícil de aceitar, não é aquela antiga o bastante, e nem a inovadora do presente, mas aquela que se situa entre esses dois âmbitos. Retrospectivamente, o autor afirma que a arte se apresenta como uma série de confusa de situações e eventos. Diversas reputações surgem durante a década de 80, muitas delas se desintegraram, porém algumas outras sobreviveram na década seguinte.

No final da década de 1970, o movimento do grafite, antes já esquecido, chamou a atenção daqueles observadores das artes decorrentes da época. A arte do grafite, segundo o autor, considera-se como uma forma de expressão criativa única. Essa forma de arte surgiu, primeiramente, na década de 70, porém só obteve repercussão durante a década posterior. O grafite pode se apresentar também, como uma forma de continuação da arte pop, agora com uma nova forma de fazer, em cenário distinto.

Dos nomes que participaram desse movimento, nos dias atuais dois ainda são analisados como importantes nesse contexto, sendo eles Jean-Michael Basquiat (1960-1988) e Keith Haring (1958-1990). Por mais rápida que tenha sido a vida desses dois artistas, suas significativas obras apresentam diversas contradições influenciadoras presentes na arte nova-iorquina da época.

Keith Haring nasceu em 1958 e desde cedo demonstrava seu interesse por arte. Já com 20 anos de idade, muda-se para a cidade de Nova Iorque. Lá, estudou na School for Visual Arts e, segundo ele, levar a arte para as ruas era um gesto conceitual. Na década de 80, Haring começou a utilizar painéis pretos para propaganda que havia dentro do metrô na formação de obras com giz. Com esse simples material, criou diversos desenhos num leque diferente das propostas brincalhonas dos grafiteiros nova-iorquinos da década.

 Após algum tempo já desenvolvendo trabalhos, Keith Haring passa a trabalhar de uma forma menos experimental, já adaptável a diversos outros tipos de materiais, como desde telas até camisetas. A razão pela qual suas obras não foram utilizadas em tantos materiais e superfícies distintas, é que a sua linguagem não era verdadeiramente pictórica. Suas objetivações distanciavam-no do desejo de tintas a óleo ou acrílico.

As obras de Haring apresentam grande teor de mensagens sociais, com temas direcionados a projetos de caridade, hospitais, entre outros, além de sua notável inclinação ao tema da AIDS, incentivando a propagação do cuidado contra a doença, como a obra a seguir:

Keith Haring veio a óbito em 1988, sendo uma das primeiras vítimas da AIDS.